As oportunidades que surgem quando você conta com profissionais experientes na sua equipe

Group of People Sitting By The Window And Looking At A Laptop

Em Fevereiro de 2022, foi celebrado o jubileu de 70 anos da Rainha Elizabeth no cargo. Setenta anos na mesma função. Claro que não dá para comparar isso a um aniversário comum de empresa, mas ainda assim… você consegue se imaginar no mesmo cargo por 70 anos? Ou 60? 50? Mesmo 40?

Minha mãe, quando se aposentou, trabalhou 42 anos na mesma organização! 42…

Se pensarmos na velocidade com que a tecnologia transformou o dia a dia das empresas, os colaboradores de longa data passaram por processos totalmente baseados em papel, xerox, grampos, carimbos, arquivos físicos e máquinas de escrever até chegarem a PDFs, telas touch e sistemas digitais.

A capacidade de se adaptar às mudanças e continuar entregando resultados ao longo do tempo demonstra um nível de comprometimento que merece respeito.

Eu sei… naquela época as coisas eram um pouco diferentes: tempo de casa significava lealdade à marca, respeito ao empregador e estabilidade. Valores que, infelizmente, vêm mudando ao longo dos anos.

Mesmo assim, profissionais de longa data são especiais. Eu gosto de chamá-los de sábios.

 

Você já trabalhou com um sábio?

Ao longo da minha carreira, tive a oportunidade de conhecer vários — alguns com mais de 20 anos de empresa e ainda liderando pelo exemplo os recém-chegados.

Infelizmente, em organizações que não conseguiram acompanhar as mudanças, vimos alguns desses profissionais serem desvalorizados, colocados em funções pouco estimulantes ou até rotulados como “peso morto”.

Já participei de reuniões em que o RH discutia se a aposentadoria antecipada seria a melhor solução financeira ou como “extrair” o conhecimento dessas pessoas antes que saíssem, já que eram verdadeiras enciclopédias vivas sobre processos e sobre como as coisas sempre foram feitas.

Quando a organização não sabe como trabalhar com profissionais experientes, isso gera frustração — e às vezes comportamentos mais duros. Mas muitas vezes há razões legítimas por trás disso.

A realidade é que o mundo mudou. E, com tantas mudanças acontecendo ao mesmo tempo, lidar com colaboradores de longa data pode parecer um desafio. Mas será que deveria ser?

 Emprego de longo prazo quando bem estruturado

Fui treinada no Japão em organizações enxutas como a Toyota e a Yazaki. E, na última vez que visitei essas empresas, a mentalidade continuava a mesma: ter 10 anos de empresa ainda significa ser “novo” e ter muito a aprender.

Nessas organizações focadas em excelência operacional, o ciclo de vida do colaborador é visto de forma diferente.

Monitoramento contínuo

Todos os anos, os colaboradores passam por avaliações para medir habilidades como atenção aos detalhes, capacidade de resolver problemas e agilidade. O objetivo é garantir que, à medida que ganham experiência, estejam sempre alocados em funções compatíveis com sua capacidade atual.

Assim, evita-se tanto sobrecarregar alguém com algo que já não consegue entregar quanto deixar de aproveitar alguém que já tem maturidade suficiente para ensinar os outros.

Treinamento contínuo

Essas empresas dominam a cultura de aprendizado constante. Ao longo da carreira, o profissional continua se desenvolvendo para manter a experiência do cliente sempre no centro das decisões.

Isso faz com que um colaborador de longa data se torne praticamente um sensei na sua área.

Professores para a vida toda

Na última vez que visitei a Toyota, participei de um treinamento ministrado por colaboradores aposentados. Exatamente isso.

No Japão, ser professor é uma profissão extremamente respeitada — e dentro das empresas isso não é diferente. Profissionais aposentados são convidados a atuar como instrutores e mentores, compartilhando conhecimento com as novas gerações.

As vantagens de ter profissionais experientes na sua equipe

Se você tem colaboradores de longa data no seu time, reflita:

1. O que eles sabem que eu ainda não sei?

Eles conhecem os processos, as pessoas, os bastidores e o histórico das decisões. Podem explicar por que determinadas práticas existem e o que já foi tentado no passado.

2. Eles estão na função certa e se sentem realizados?

Se um profissional experiente parece desmotivado, provavelmente existe um motivo. Verifique se a função atual realmente está alinhada às suas competências e ao seu momento de carreira. Indicadores de desempenho podem ajudar a identificar esse alinhamento.

3. O que faz essa pessoa querer vir trabalhar todos os dias?

Entender o que motiva alguém é essencial para uma boa liderança. Quando você conhece o que engaja o profissional, consegue posicioná-lo melhor dentro da jornada de experiência do cliente.

4. Eles podem ajudar a simplificar processos?

Com o tempo, os processos ficam mais complexos — muitas vezes por exigências regulatórias. Mas um profissional experiente pode ter conhecido aquele mesmo processo em uma versão muito mais simples. Use essa perspectiva histórica para avaliar oportunidades de simplificação.


Da próxima vez que você encontrar um profissional experiente na sua organização, lembre-se: existe um oceano de conhecimento ali.

Não desperdice essa oportunidade.